segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Homenagem À Agildo Da Gama Barata Ribeiro

Agildo Da Gama Barata Ribeiro


Tio-avô




Agildo da Gama Barata Ribeiro com colegas da Escola Militar do Realengo
Ernesto Geisel; Agildo Barata; Carlos Gonçalves Terra e Orígenes da Soledade Lima



Capitão Agildo da Gama Barata Ribeiro indo preso em 1935 - Segundo da esquerda para a direita

 Capitão Agildo da Gama Barata Ribeiro foi preso em novembro de 1935 ao aderir à Intentona Comunista. Sua segunda tentativa de retirar do poder o Ditador nazifascista Getúlio Dornelles Vargas. A primeira foi na Revolução Constitucionalista em São Paulo a partir de 9 de julho de 1932. Nesse momento o capitão agildo gama barata ribeiro torna-se líder comunista, mesmo não sendo comunista, conforme seu relato a mim, seu sobrinho neto, em 1965 no seu apartamento à rua marques de abrantes no flamengo. Segundo ele, a ditadura vargas com seu dip, uma cópia fiel do ministério da propaganda da alemanha nazista comandado por joseph goebells, idealizador da propaganda do terceiro reich e fiel aliado do führer, falava sozinha e criava os mitos, a favor ou contra. Na maioria das vezes quem discorda do poder torna-se inimigo e é vilipendiado da pior maneira. Desde que nasci escuto que o Capitão Agildo Barata era líder comunista e um dia ao visita-lo me relatou a sua vida e da família. Me sinto no atual momento em que escrevo minhas memórias, na obrigação de esclarecer a verdade, ou seja, contar o que uma Ditadura pode fazer a um cidadão que simplesmente discorde do despotismo reinante em um Estado opressor e repressor. Eu e o Capitão Agildo tivemos além dele, vários familiares perseguidos, presos e até mortos por déspotas ao serem perseguidos, como o meu tetravô Médico e Jornalista Cipriano Barata, meu bisavô Capitão-tenente Atanagildo Barata Ribeiro e meu avô, o Médico José Jacome, que enfartou aos 48 anos perseguido pelo Déspota Getúlio Dornelles Vargas.

Agildo da Gama Barata Ribeiro nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 01 de julho de 1905 e faleceu em 14 de agosto de 1968. Filho de Atanagildo Barata Ribeiro, Oficial de Marinha, combatente da Guerra do Paraguai, detentor das mais altas Condecorações por participar desta guerra e preso político na Ditadura do Marechal Floriano Peixoto. Seu pai teve cinco filhos do primeiro casamento com Clarinda Clara Baptista dos Santos Barata Ribeiro, filha de Clara Jacintha Alves Barbosa e do Médico Militar, João Baptista dos Santos, Barão e depois Visconde com Grandeza de Ibituruna, também combatente da Guerra do Paraguai, mas que ao ficar viúvo casou com Maria Gabriela da Gama Barata Ribeiro, descendente de uma família paulista de cafeicultores em fase de declínio econômico. Agildo foi o segundo filho do casal. Seu pai morreu quando ele tinha apenas sete meses, deixando a família em situação de pobreza. Para complementar a pequena pensão que recebia, Maria Gabriela passou a contar com a colaboração dos enteados e a realizar pequenos trabalhos domésticos de costura e confeitaria. Agildo fez os estudos primários na escola pública do bairro em que morava no Rio, ingressando em seguida no Colégio Militar. Em fins de 1920, no entanto, quando cursava a terceira série ginasial, a morte de sua mãe obrigou-o a mudar-se para São João Batista de Camaquã, hoje Camaquã (RS), onde se instalou na casa de seu meio-irmão Francisco, médico recém-formado. Teve então a oportunidade de conhecer de perto um dos mais cruentos conflitos políticos da época, acompanhando a atuação de seu irmão, do lado dos libertadores, na violenta luta que estes travaram em 1923 no Rio Grande do Sul contra os republicanos, instalados no governo estadual. Depois, a família mudou-se para Lajes (SC), onde Francisco – simpatizante dos “tenentes”, que ao longo da década de 1920 promoveram uma série de revoltas armadas contra o governo federal – estabeleceu contato com diversos oficiais desgarrados das forças revolucionárias que partiram do Rio Grande do Sul em outubro de 1924 e iriam compor a Coluna Prestes. Em 1925, Agildo Barata ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio. Integrou-se então às articulações tenentistas que, embora derrotadas nos levantes armados, perseveravam no objetivo de derrubar o governo federal e reformar as instituições políticas do país. Com essa finalidade, seus líderes desenvolviam um trabalho constante de doutrinação nas unidades militares, recrutando adeptos que procuravam distribuir por diversas guarnições de acordo com um plano de prioridades. Agildo terminou o curso da Escola Militar em janeiro de 1928 e, no posto de segundo-tenente, foi classificado no 1º Regimento de Infantaria, na Vila Militar do Rio. Passou a integrar, junto com o tenente Juraci Magalhães, que servia no mesmo regimento, o grupo de revolucionários liderado pelo capitão Juarez Távora. Na revolução de 1930 Em janeiro de 1930, os tenentes Agildo Barata, Jurandir Bizarria Mamede e Paulo Cordeiro foram convidados pelo subcomandante do 1º RI, coronel Maurício José Cardoso, a se transferir para o 22º Batalhão de Caçadores, sediado na cidade da Paraíba, hoje João Pessoa. Sua missão seria intensificar e modernizar a instrução na 7ª Região Militar, sediada em Recife e com jurisdição sobre quase todo o Nordeste. Essa medida fazia parte de uma política de concentração de tropas federais na Paraíba, diante do agravamento do conflito entre o governo do estado – chefiado por João Pessoa, candidato da Aliança Liberal à vice-presidência da República no pleito que se realizaria em março de 1930 – e o então presidente da República Washington Luís. O levante separatista de oposição a João Pessoa, iniciado em fevereiro na cidade de Princesa, hoje Princesa Isabel, oferecera um pretexto suplementar para essa concentração. Entretanto, todos os tenentes do 1º RI deslocados para a Paraíba estavam comprometidos com as articulações que visavam à derrubada de Washington Luís. Embora julgassem que o objetivo real de sua transferência era aumentar a pressão federal sobre o governo de João Pessoa, o grupo aceitou o convite, animado do propósito de reforçar e ampliar os preparativos revolucionários. A Paraíba fora escolhida por Juarez Távora para centro de irradiação do movimento nas regiões Norte e Nordeste, e o 22º BC, onde foram servir Agildo e seus companheiros, reunia o maior efetivo de todo o contingente estacionado no estado. Os oficiais revolucionários na unidade eram apenas quatro, contra 80 legalistas, mas se viram em excelente situação para desenvolver suas articulações. A vitória do candidato situacionista Júlio Prestes nas eleições presidenciais de março apressou os preparativos para uma ação armada, e o assassínio de João Pessoa em julho fez com que novos setores aderissem aos planos revolucionários em todo o país. O movimento partiria dos três estados mais importantes da Aliança Liberal: Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Segundo as memórias de Agildo Barata (Vida de um revolucionário, 1962), o gaúcho Osvaldo Aranha, principal articulador civil da revolução, aceitou que Juarez Távora fixasse a data da eclosão do levante, tendo em vista que as condições no Centro-Sul eram mais favoráveis do que no Norte-Nordeste, onde o governo federal concentrara muitos oficiais leais. Desse modo, foi escolhida a data de 3 de outubro, que coincidia com o período em que Agildo Barata, como oficial de dia, e Juraci Magalhães estariam de prontidão no 22º BC. O plano traçado para a tomada da unidade previa que Juraci seria o chefe geral da sublevação no quartel. Auxiliado por Mamede, Cordeiro e um grupo de sargentos, levantaria a tropa, enquanto Agildo, ajudado por civis liderados por Antenor Navarro, prenderia os oficiais. Todavia, ocorreu um equívoco na fixação da hora para o início do levante: marcado para as cinco e meia da tarde do dia 3 no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, na Paraíba estava previsto para as duas da madrugada de 3 para 4 de outubro. Assim, antes que se iniciassem as ações na Paraíba, o governo federal já fora alertado da eclosão do movimento no Sul e em Minas. Por esse motivo, Agildo e seu grupo anteciparam em meia hora a execução da parte do plano que lhes cabia, tentando ainda surpreender as forças legalistas, embora, com essa decisão, contassem com um número de homens inferior ao que fora previsto. À frente de dez civis, Agildo conseguiu aprisionar a oficialidade, evitando que o conflito chegasse à tropa. De todo modo, morreram no entrechoque quatro revolucionários e igual número de legalistas, entre os quais o general Alberto Lavenère Wanderley, comandante da 7ª RM – então temporariamente sediada na Paraíba –, que tentou resistir e foi mortalmente ferido no tiroteio. Apenas meia hora depois da tomada da capital paraibana, Agildo Barata partiu para Recife no comando de 80 homens fortemente armados. Antes de chegar à capital de Pernambuco, o grupo tinha também a incumbência de neutralizar e desarmar os destacamentos policiais das cidades situadas no percurso. Na localidade de Fragoso (PE), houve um combate contra cerca de 350 homens da Polícia Militar pernambucana, que afinal bateram em retirada depois que chegaram reforços para os revolucionários, comandados por Paulo Cordeiro e Juraci Magalhães. Recife foi ocupada no dia 5 de outubro, e Agildo partiu então ao longo da costa rumo ao Sul, no comando de forças encarregadas de depor os governos de Alagoas, Sergipe e Bahia. Acumulava as funções de comandante do 1º Grupo de Batalhões de Combate, com um efetivo de cerca de 1.200 homens, e de subcomandante da Coluna do Leste, cujo chefe, Juraci Magalhães, estava gripado e virtualmente impossibilitado de exercer o comando da coluna. Maceió foi ocupada sem dificuldades por um batalhão chefiado pelo tenente Agnaldo Valente Sotero de Meneses, que se desprendera do grosso do contingente para esse fim. Em seguida, Sergipe passou ao controle dos revolucionários depois da fuga do presidente do estado, Manuel Dantas, para a Bahia. Rumando para o Sul, as colunas do Leste e do Interior, esta comandada por Jurandir Mamede, convergiram na direção de Alagoinhas (BA), de onde iniciariam o cerco à capital baiana. A vanguarda da Coluna do Leste, que sob o comando de Agildo Barata deveria estabelecer contato com as tropas governistas estacionadas em Salvador, conquistou a adesão do 19º Batalhão de Caçadores, comandado pelo coronel Colatino Marques e estacionado em Esplanada (BA). No dia 24 de outubro, Agildo se encontrava no povoado baiano de Sauipe de Dentro quando recebeu a notícia da deposição de Washington Luís. O presidente fora derrubado e substituído por uma junta governativa provisória, o que selava a vitória da revolução, e as forças comandadas por Agildo marcharam para Alagoinhas, que ocuparam no mesmo dia. Em 26 de outubro, entraram na capital baiana, depondo o último governo do Norte-Nordeste fiel a Washington Luís. Em suas memórias, Agildo Barata narra que, iniciadas as negociações entre os líderes revolucionários para a escolha do chefe do novo governo, procurou convencer Juarez Távora, a quem considerava o revolucionário de maior prestígio nacional, a usar de sua influência para conseguir do novo regime garantias de que as reformas pelas quais haviam lutado seriam efetivamente realizadas. Reconheceu que “não tinha a menor ideia do que se devia fazer e muitíssimo menos de como fazer. Na realidade, nós, os tenentes, só tínhamos boas intenções e isso evidentemente era pouco para orientar e realizar alguma coisa na difícil conjuntura econômica e político-social em que se encontrava o país após a vitória do movimento armado de outubro de 1930”. Embora consciente dessas deficiências, Agildo opunha-se à entrega do poder aos políticos da Aliança Liberal, incentivando Juarez Távora a se articular nacionalmente com outras forças para conquistar a presidência da República. Juarez, contudo, não atendeu a seus argumentos, e depois da posse de Getúlio Vargas na chefia do governo provisório da República, Agildo propôs que, pelo menos, oficializasse seu controle sobre a situação política do Norte-Nordeste. Em janeiro de 1931, Juarez Távora foi nomeado delegado do governo provisório naquelas regiões do país, ficando conhecido como o “vice-rei do Norte” pelo poder com que contava. Durante alguns meses, Agildo Barata exerceu no Rio as funções de secretário de Juarez, mas acabou se demitindo por considerar que a atuação de seu chefe se tornara “inoperante e inócua”. Foi substituído por Juraci Magalhães, e participou então da formação do Comitê Revolucionário do Nordeste, para onde se transferiu. Esse órgão, cuja criação fora proposta por Juraci Magalhães e apoiada por outros “tenentes”, deveria coordenar a atuação de seus membros frente à orientação política do governo provisório, considerada por eles contrária às suas aspirações principalmente no que dizia respeito à promoção de oficiais comprometidos com o governo deposto. Entretanto, um episódio no qual o ministro da Justiça, Osvaldo Aranha, teria favorecido interesses de amigos, resultando na renúncia do interventor no Rio Grande do Norte Irineu Joffily, precipitou a autodissolução do comitê. Segundo Agildo Barata, seus integrantes sentiram-se “inúteis”. Em 1931, Agildo Barata negou qualquer apoio às legiões revolucionárias que começavam a ser organizadas por Juarez Távora, Osvaldo Aranha, Francisco Campos e outros, denunciando sua inspiração fascista. Em julho do mesmo ano, casou-se com Maria Barata Ribeiro, com quem teve um único filho nascido em 1932, que recebeu seu nome e se tornaria conhecido como Agildo Ribeiro, ator de teatro, cinema e televisão.



Na Revolução De 1932

A primeira tentativa de apear Getúlio Vargas do Poder

Descontente com os rumos seguidos pela Revolução de 1930, Agildo ligou-se a elementos que articulavam a deposição do chefe do governo provisório. Em meados de 1931, seu irmão Francisco, então clinicando em São Paulo, estabeleceu relações com o general Isidoro Dias Lopes, chefe da 2ª Região Militar e líder oposicionista, recebendo deste a missão de procurar Juarez Távora para convencê-lo a participar das articulações da oposição. A caminho de Aracaju, onde encontraria Juarez, Francisco esteve com Agildo em Salvador e o pôs a par da situação no Sul. Encontrou-se em seguida com Juarez em Sergipe, mas sua missão não obteve êxito, e o “vice-rei” permaneceu fiel ao governo. Entrementes, a situação política de São Paulo se agravava, marcada pela oposição entre as correntes políticas tradicionais do estado e as forças tenentistas aliadas ao governo federal. Os paulistas reivindicavam a imediata reconstitucionalização do país e a devolução da autonomia estadual. Com o acirramento do conflito, intensificaram os contatos nacionais, a fim de evitar o isolamento. Transferido para o Rio, Agildo se manteve em contato com o irmão e o general Isidoro Dias Lopes, de quem recebeu a incumbência de discutir com oposicionistas mineiros a possibilidade de apoio político e militar para uma sublevação contra o governo federal. Em suas memórias, Agildo descreve uma reunião com líderes de Minas, na qual recebeu de Mário Brant a resposta de que o estado manteria “dentro de suas fronteiras uma atitude de expectativa hostil ao governo provisório”. Em fins de maio de 1932, estava decidida a promoção de um levante em São Paulo. Nos primeiros dias de julho, Agildo compareceu a uma reunião presidida por Isidoro Dias Lopes, na qualidade de representante dos conspiradores do estado do Rio e do Distrito Federal. Estavam também presentes ao encontro Francisco Morato e Cesário Coimbra (líderes do Partido Democrático de São Paulo), Sílvio de Campos (pelo Partido Republicano Paulista), o tenente Adacto Pereira de Melo (ajudante de ordens e representante do general Bertoldo Klinger, comandante da guarnição federal de Mato Grosso), o coronel Júlio Marcondes Salgado (comandante da Força Pública paulista) e um oficial representando o contingente federal estacionado no estado. Foram discutidos diversos aspectos da sublevação, inclusive a época de sua deflagração, acertada para o período compreendido entre 15 e 20 de julho, cabendo ao general Isidoro definir a data precisa com 48 horas de antecedência. Depois de rápida passagem pelo Rio, na noite do dia 8 de julho Agildo embarcou novamente para São Paulo portando códigos, cifras e as tarefas a cumprir pelas tropas que se levantariam naquele estado. O plano previa também que o tenente Severo Fournier coordenaria a eclosão de distúrbios em série no Distrito Federal, de forma a dificultar a reação do governo à rebelião que partiria de São Paulo. Entretanto, a reforma administrativa do general Klinger, determinada no mesmo dia 8 pelo ministro da Guerra, general Augusto Espírito Santo Cardoso, precipitou os acontecimentos. Em nova reunião, de caráter improvisado, o general Isidoro, o coronel Euclides Figueiredo, o tenente Adacto de Melo e Júlio Mesquita decidiram desencadear a revolta no dia seguinte, a fim de garantir a participação do valioso contingente mato-grossense ainda sob o comando de Klinger. Precipitado o levante em São Paulo, iniciou-se a repressão governamental nos outros estados, onde as forças comprometidas com a revolução ainda não se haviam mobilizado. De volta ao Rio na noite do dia 9 de julho, Agildo Barata foi preso por policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) quando passava por sua residência antes de se juntar a companheiros que o aguardavam em Niterói. Recolhido inicialmente ao quartel da Polícia Militar, esteve preso depois em diversos locais: no navio-presídio Pedro I (de onde tentou fugir a nado, sem êxito), na ilha das Flores, na Casa de Correção e na ilha Rasa. Permaneceu detido durante todo o período da guerra civil iniciada em São Paulo e com a derrota dos paulistas, em outubro, foi transferido para o navio Siqueira Campos, que conduziu 77 líderes constitucionalistas civis e militares para o exílio em Portugal, onde chegaram no dia 10 de novembro. No exílio, Agildo identificou-se com o grupo de deportados que considerava necessário continuar a luta contra o governo provisório e pela reconstitucionalização do país, mas não esteve entre os que tentaram retornar clandestinamente ao Brasil através da Argentina. Permaneceu em Lisboa devido à precariedade dos recursos disponíveis para custear o retorno dos exilados e à necessidade de esperar sua família, que, graças ao auxílio de amigos brasileiros, conseguiu viajar ao seu encontro. Esses amigos, entre os quais figuravam Artur Negreiros Falcão, Juraci Magalhães e Pompeu Acióli Borges, organizaram um grupo que enviava mensalmente uma quantia para suas despesas. O período vivido em Lisboa teve grande importância na formação intelectual e política de Agildo. Ali, encontrou traços comuns entre o regime ditatorial de Antônio de Oliveira Salazar e o governo de Vargas, o que contribuiu para consolidar sua posição favorável à redemocratização do Brasil. Iniciou também o estudo de autores comunistas e anarquistas, aprofundando sua crítica da sociedade capitalista e orientando-se no sentido do socialismo. Enquanto isso, no Brasil, o governo provisório retomou o processo de institucionalização da vida política nacional, satisfazendo inclusive algumas aspirações dos paulistas derrotados, como a convocação, para maio de 1933, de eleições para a Assembleia Nacional Constituinte. Após as eleições, ganharam força os debates e pronunciamentos em torno da questão da anistia. Em fins de 1933, Agildo Barata deixou Portugal e aportou na Bahia. Fora convidado pelo interventor Juraci Magalhães para desempenhar alguma função no governo estadual, mas, decidido a prosseguir na oposição ao regime, recusou a proposta e seguiu viagem para o Rio de Janeiro, onde fixou residência, dedicando-se ao comércio de sapatos. Em janeiro de 1934, por força do decreto que readmitiu nas forças armadas os envolvidos na Revolução de 1932, retornou ao Exército. Alguns meses depois, beneficiado também pela anistia concedida em maio pelo chefe do governo provisório, foi promovido a capitão. Manteve, contudo, ainda por algum tempo, suas atividades comerciais.

No Partido Comunista

Ainda em 1934, Agildo Barata foi procurado em sua sapataria por alguém que designa em suas memórias por “tenente CL”, ligado ao setor militar do Partido Comunista Brasileiro, então chamado Partido Comunista do Brasil (PCB). Convidado por CL a ingressar no partido, começou aí sua militância comunista, mantida inicialmente em segredo por razões de segurança, de acordo com a orientação do secretariado político do partido. Segundo afirmou mais tarde, seu ingresso no PCB em fevereiro de 1935 se deu por considerar que aquele era o único partido a se manter coerente na luta contra o regime de Vargas e contra o integralismo, movimento de inspiração fascista que, na época, atravessava uma fase de franca ascensão. Os meses que se seguiram à sua entrada no PCB, porém, transcorreram sem que recebesse tarefas políticas a desempenhar. Desse modo, decidiu empreender ações independentes. Junto com seu irmão Zamiro e alguns amigos como João Cabanas, Nemo Canabarro Lucas e José Augusto Medeiros, investiu contra integralistas que desfilavam uniformizados pelas ruas do Rio. Pouco depois, por ordem do ministro da Guerra, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, foi transferido para o 8º Batalhão de Caçadores, sediado em São Leopoldo (RS). Em trânsito para o Sul, recebeu orientação do PCB no sentido de engajar-se na estruturação da seção gaúcha da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política oficializada em março de 1935, definida como “uma frente popular contra o imperialismo, o latifúndio e o fascismo” e apoiada pelos comunistas e outras tendências políticas. O capitão Agildo Barata se tornou vice-presidente da comissão diretora provisória da ANL no Rio Grande do Sul, que tinha na presidência o médico e escritor Dionélio Machado. O período que se seguiu à criação da ANL foi marcado pela radicalização política. De um lado, a aliança se transformava em um amplo movimento de massas de expressão nacional. De outro, já no dia 4 de abril era sancionada a primeira Lei de Segurança Nacional da história do país, facultando a detenção de suspeitos e a intervenção policial em comícios da ANL e na imprensa ligada ao movimento. Além disso, multiplicavam-se em todo o país os choques de rua entre aliancistas e integralistas. Depois da redação do manifesto de lançamento, os aliancistas gaúchos obtiveram do governo estadual a cessão do Teatro São Pedro para realizar, no dia 5 de julho – data para a qual estavam sendo preparadas grandes manifestações da ANL em todo o país – o ato público de lançamento do movimento. Embora o governo gaúcho houvesse anunciado que reprimiria com violência os manifestantes em caso de perturbação da ordem, no dia marcado o teatro e seus arredores foram tomados por uma multidão que ali acorreu para ouvir os oradores e prestigiar o movimento. Na mesma data, a ANL realizou no Distrito Federal um comício em que seu presidente de honra, Luís Carlos Prestes, fez um pronunciamento radical pedindo “todo poder à ANL”. Esse fato e o crescimento patente da influência do PCB sobre o movimento acirraram a repressão contra os membros das duas organizações. Alguns dias depois do ato no Teatro São Pedro, instaurou-se um processo contra Dionélio Machado. O primeiro-secretário da ANL gaúcha, Aparício Cora de Almeida, apareceu morto em condições mal esclarecidas, e Agildo Barata foi vítima de um atentado – atribuído em suas memórias ao prefeito de São Leopoldo, Teodomiro Porto da Fonseca – do qual, entretanto, escapou ileso. A ANL também crescera rapidamente em São Leopoldo, tornando-se, segundo Agildo, a principal força política do município, superando até o integralismo, que encontrava muitos adeptos entre a numerosa colônia alemã. O fechamento da ANL foi decretado pelo governo federal ainda no dia 11 de julho de 1935, o que não impediu que a organização prosseguisse em suas atividades. Agildo continuava em sua militância ostensiva no movimento, acumulando os cargos de vice-presidente da comissão diretora gaúcha e de presidente da comissão municipal de São Leopoldo. Entretanto, além de ter sua segurança pessoal ameaçada por atentados, acabou enquadrado no regulamento disciplinar do Exército pelo comandante do 8º BC, coronel Teles Ferreira. Condenado a 25 dias de prisão, reduzidos depois para 20 graças a seus bons antecedentes, Agildo, entretanto, já estava àquela altura com sua transferência acertada para o Batalhão de Guardas, sediado no Rio de Janeiro, graças à interferência de seu irmão Zamiro. Preocupado com a integridade de Agildo, Zamiro procurara o general Pantaleão Teles Ferreira, chefe do Departamento de Pessoal do Exército, amigo e ex-companheiro de Agildo no exílio em Portugal, obtendo deste a transferência do irmão para o Rio.

Na Revolta De 1935

A segunda tentativa de apear Getúlio Vargas do Poder

Em meados de outubro de 1935, o capitão Agildo Barata chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado da família, e hospedou-se provisoriamente na casa de seu irmão Zamiro da Gama Barata Ribeiro, em Copacabana. Nesse momento, o PCB, hegemônico na direção da ANL, havia decidido que as condições eram favoráveis à deflagração de um levante armado para derrubar Getúlio Vargas. A preparação do movimento já estava em curso quando, no dia 8 de novembro, Agildo apresentou-se ao comando do 3º RI, no bairro da Praia Vermelha, onde deveria cumprir sua pena disciplinar antes de começar a servir em sua nova unidade. Em suas memórias, Agildo afirma ter escolhido ele mesmo o 3º RI para o cumprimento da pena, por se tratar da unidade próxima à residência do irmão. Desse modo, contesta a versão segundo a qual seu envio para o 3º RI obedeceria a um plano de Vargas: ciente da iminência de uma revolta comandada pela ANL e da concentração de grande número de aliancistas na unidade, o presidente teria enviado Agildo para lá de modo a circunscrever o levante ao regimento e facilitar sua repressão. De todo modo, Agildo foi recolhido preso ao 3º RI e, por intermédio de seu camarada Francisco Moésia Rolim, que fora visitá-lo, entrou em contato com o tenente Francisco Leivas Otero, responsável pelo trabalho pró-ANL no regimento e integrante da célula comunista ali organizada, que vinha conduzindo os preparativos para a insurreição, prevista para o dia 29 de novembro. Segundo Agildo, porém, a polícia conseguira infiltrar-se na direção do PCB, falsificando informações e contribuindo para que o partido precipitasse um processo que o governo já tinha sob controle. Quando as autoridades militares de Natal proibiram o reengajamento de cabos e sargentos, o Comitê Revolucionário do Nordeste, composto exclusivamente de militantes comunistas, determinou, no dia 23 de novembro, o início da insurreição. Embora deflagrado seis dias antes do previsto, o movimento aliancista dispunha de grande força e apoio popular na região e logo assumiu o controle da cidade, depondo o governo estadual e substituindo-o por um “governo nacional popular revolucionário”. No dia 25, quando a revolta estava quase sufocada no Rio Grande do Norte, o Comitê Revolucionário do Nordeste ordenou o levante em Recife, onde os combates duraram até o dia seguinte com nova vitória das forças governistas. No Rio, um comitê revolucionário dirigido pessoalmente por Luís Carlos Prestes organizou o levante militar, antecipando sua deflagração para o dia 27 em virtude dos acontecimentos no Nordeste. No entanto, ainda segundo Agildo, também na capital federal a polícia se infiltrara no partido, permitindo ao governo tomar rigorosas medidas preventivas. No 3º RI, estabeleceu-se vigilância especial sobre os capitães Álvaro Francisco de Sousa e Agildo Barata, o qual, embora no cumprimento de prisão disciplinar, gozava de ampla liberdade de movimentos. Apesar dessas providências, o levante foi mantido e Agildo foi procurado para colaborar na elaboração do plano, devido à sua experiência nas ações militares da Revolução de 1930. A relação entre legalistas e aliancistas no 3º RI era desfavorável aos últimos na proporção de dez para um. Dos trezentos oficiais e sargentos, o núcleo revolucionário contava apenas com cerca de 30 pessoas, 12 das quais pertencentes à célula comunista do regimento. Impossibilitados de agir de surpresa em face da rigorosíssima prontidão das forças armadas, os aliancistas planejaram prender os oficiais, isolando-os da tropa, e conseguir a adesão dos soldados, mobilizando-os para missões externas definidas no plano geral traçado por Prestes. O comando do regimento sublevado caberia a Agildo Barata. O plano de tomada do quartel começou a ser cumprido às 2:30h da madrugada do dia 27 de novembro, quando o tenente Leivas Otero, chefe da subunidade responsável pela guarda do quartel naquela noite, deu o sinal convencionado – uma rajada de metralhadora. Em 15 minutos, segundo a narrativa de Agildo Barata, os comandantes de companhias e demais oficiais foram aprisionados, os sargentos neutralizados e a tropa dominada. Apenas os comandantes da 1ª e da 2ª companhia de metralhadoras resistiram, mas logo foram convencidos a se render por oficiais legalistas que haviam sido presos. Logo nos primeiros momentos do levante, contudo, o comandante do regimento, coronel José Fernando Afonso Ferreira, conseguiu fazer uma ligação telefônica para o quartel general da 1ª Região Militar, colocando seus superiores a par do que estava ocorrendo. Segundo o historiador Hélio Silva, foi esse fato, ao lado da resistência na 1ª e na 2ª companhia, que alterou o curso dos acontecimentos, impedindo que o regimento sublevado ganhasse as ruas antes de ser cercado. A tomada do quartel custou dois mortos: o tenente Tomás Meireles, aliancista, e o major Misael de Mendonça, legalista. Surgiria depois uma versão oficial dos fatos afirmando que o major teria sido assassinado enquanto dormia, mas Agildo Barata, apoiando-se no próprio relatório policial depois elaborado, assegura que o oficial foi atingido durante um tiroteio no pátio do quartel. Em seu livro 1935 – “A Revolta Vermelha”, Hélio Silva transcreve as autópsias dos mortos no levante, refutando a tese de que alguém houvesse sido assassinado em pleno sono. Por volta das 3:30h, uma hora, portanto após o início do levante, o comando rebelde – formado pelos capitães Agildo Barata, Álvaro de Sousa e José Leite Brasil – resolveu tentar sair à rua e fugir às limitações do quartel, espremido entre dois morros íngremes, com o mar à retaguarda e situado em um bairro com apenas uma saída por terra para o resto da cidade. Àquela altura, porém, o cerco governista já estava formado, mobilizando um batalhão do 2º RI e outro da Polícia Militar, as guarnições dos fortes do Vigia e de São João, o 1º Grupo de Obuses de 155mm e vários choques da polícia política, sob o comando geral do general Eurico Gaspar Dutra, comandante da 1ª Região Militar. Os revoltosos fizeram três tentativas de forçar a saída do quartel, mas em todas elas foram rechaçadas, sendo obrigados a assumir uma posição defensiva no interior da unidade. Nas escaramuças, os revoltosos sofreram diversas baixas por ferimentos e a morte de um sargento. Às quatro horas, o general Dutra enviou um ultimato aos rebeldes, exigindo sua rendição incondicional. Agildo Barata respondeu com um bilhete no qual expressava sua recusa, reafirmava que a insurreição não tinha caráter comunista e conclamava o general à luta para salvar o Brasil do imperialismo. Pelo mesmo portador, um sargento do Batalhão de Guardas, enviou também aos soldados dessa unidade um apelo para que aderissem ao levante. Confiando no possível apoio de outras unidades militares sublevadas, particularmente da Escola de Aviação Militar do Campo dos Afonsos, onde efetivamente se iniciara um levante, liderado pelos capitães Agliberto Vieira de Azevedo e Sócrates Gonçalves, os aliancistas permaneceram em armas. No entanto, quando a aviação surgiu às 11 horas, seu alvo foram as posições rebeldes, pois o governo assumira o controle da situação no Campo dos Afonsos. Sob intenso bombardeio aéreo e terrestre, com o lançamento de bombas incendiárias e gases tóxicos, o 3º RI ardia em chamas e ainda era metralhado por dois navios da Marinha ancorados na praia. Em face dessas circunstâncias, o comando rebelde decidiu enviar uma comitiva para negociar com o general Dutra os termos de sua rendição. Segundo Agildo, os dois oficiais enviados – capitão Anacleto Tavares, até então prisioneiro dos aliancistas e voluntário para a missão, e o tenente Leivas Otero – foram recebidos com violência e desarmados. Em seguida, por volta das 13 horas, as tropas legalistas penetraram no que restava do quartel, consumando a rendição incondicional de seus ocupantes. Detidos, os revoltosos foram conduzidos para veículos da empresa Light and Power Company, postos à disposição do governo, e transportados para a Casa de Detenção do Rio de Janeiro, até então utilizada apenas para a reclusão de presos comuns.

Dez Anos De Prisão


Após a derrota da tentativa de insurreição da ANL, Getúlio Vargas mobilizou todo o seu aparato de propaganda, principalmente com seu Departamento de Imprensa e Propaganda criado aos moldes do Ministério da Propaganda da Alemanha Nazista sob o comando de Joseph Goebbels para caracterizá-la como uma ação exclusivamente comunista, que era logicamente mentira, nem todos eram comunistas, como o Capitão Agildo Barata, que na realidade por considerar o Ditador Getúlio Vargas traidor da Revolução de 1930, tentou pela segunda vez apeá-lo do Poder, pois o Ditador prometeu na Revolução uma nova Constituição para o Brasil, mas que só aceitou convocar uma nova Constituinte devido à Revolução Constitucionalista de São Paulo em 1932. O episódio ficaria inclusive conhecido pela designação de Intentona Comunista, e a partir de seu desfecho desencadeou-se uma violenta campanha de repressão contra diversas correntes políticas oposicionistas, com a prisão de grande número de ativistas, simpatizantes ou simples suspeitos. Decretado o estado de sítio, depois transformado em estado de guerra, seguiu-se um conjunto de leis e medidas repressivas que dominaram a conjuntura nacional e culminaram no golpe de Estado que, liderado pelo próprio Vargas, implantou o Estado Novo em 10 de novembro de 1937. Nesse mesmo ano, Agildo Barata compareceu à força a seu julgamento ante o Tribunal de Segurança Nacional, pois negava-se a aceitar determinações de órgãos cuja autoridade não reconhecia. Graciliano Ramos, seu companheiro de prisão, descreve em Memórias do cárcere como Agildo, recusando-se a comparecer a uma sessão do tribunal, saiu carregado pelos braços e pelas pernas, de pijama, sob o aplauso dos outros presos. Incursos na Lei de Segurança Nacional, os acusados de envolvimento no levante aliancista foram condenados a um total superior a mil anos de reclusão, e Agildo recebeu a pena máxima de dez anos prevista para líderes de sublevações militares contra o Governo Ditatorial. Foi ainda condenado a dois anos e meio de reclusão por ter assinado um manifesto da seção gaúcha da ANL em 1935, mas o tribunal não chegou sequer a pronunciá-lo quanto à acusação de ter assassinado oficiais que estavam dormindo, em virtude da absoluta ausência de provas. Em setembro de 1937, teve sua pena reduzida pelo Supremo, hoje Superior, Tribunal Militar, que deferiu recurso impetrado por diversos aliancistas presos. Contudo, sua patente militar foi cassada, e só seria recuperada após a queda do Estado Novo. Em suas memórias, Agildo descreve as pressões que sofreu além da punição legal, na forma de intimidações à sua família. Certa vez, sob o pretexto de que passava bilhetes nos sapatos do filho durante as visitas – o que negou de forma veemente –, sua esposa foi detida e ameaçada de ter a criança entregue à tutela do juiz de menores. A situação só se resolveu quando, além de ter um habeas-corpus impetrado, sua esposa entrou em greve de fome, obtendo o relaxamento de sua prisão e a cessação das ameaças que pesavam sobre o filho. Durante os dez anos de prisão iniciados com a punição disciplinar de 1935, Agildo esteve na Casa de Detenção, no navio-presídio Pedro I, nas ilhas de Fernando de Noronha e Grande, esta no litoral do Rio de Janeiro e na Casa de Correção. Em 1945, o Estado Novo apresentava nítidos sinais de enfraquecimento e a oposição crescia. Nessa época, o PCB, duramente atingido pela repressão, se dividia em dois grupos rivais que disputavam a hegemonia no partido. Um deles, conhecido como Comitê de Ação, pregava a oposição irrestrita ao governo de Vargas, caracterizado como fascista, enquanto o outro, a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP), defendia o apoio ao presidente em virtude de seu alinhamento aos Aliados em 1942 e do envio de tropas brasileiras para lutar na Segunda Guerra Mundial contra os países do Eixo. Os dois grupos disputavam a simpatia do secretário-geral do PCB, Luís Carlos Prestes, o qual, encarcerado, poderia decidir a disputa. Entre os presos comunistas, duas tendências também se opunham. O grupo liderado por Carlos da Costa Leite considerava impossível qualquer ação organizada clandestinamente, devido à eficiência da polícia política do Estado Novo. O outro grupo, reunido em torno de Agildo Barata, seguia a orientação de Prestes em sentido contrário, e passou a apoiar a CNOP quando o secretário-geral se definiu por sua orientação. Contribuiu para isso um encontro que Agildo teve nos últimos dias de sua prisão, em 1945, com Prestes, a quem devotava grande admiração e que o convenceu a endossar a política de apoio a Vargas.

Depois De 1945

Anistiados em abril de 1945, os presos políticos deixaram as prisões. Ainda nesse ano o PCB foi legalizado e, por indicação de Prestes, Agildo e Agliberto de Azevedo tornaram-se membros do comitê central do partido, contrariando, porém, a maioria dos integrantes da organização. Em janeiro de 1947, Agildo foi um dos 18 vereadores eleitos no Distrito Federal na legenda do PCB. Com cerca de 24% dos votos válidos, os comunistas formavam a maior bancada da Câmara de Vereadores então constituída. Em janeiro do ano seguinte, porém, juntamente com todos os parlamentares comunistas do país, Agildo teve seu mandato suspenso devido à cassação pela Justiça Eleitoral da licença do PCB, que retornou à clandestinidade. Militando no setor financeiro do PCB, Agildo organizou uma vasta e eficiente rede de contribuintes e, auxiliado por um antigo companheiro do levante do 3º RI, José Gutman, fundou uma sociedade anônima a fim de arrecadar o capital necessário para superar o déficit crônico do jornal do partido, Tribuna Popular. Designado tesoureiro do comitê central, desincumbiu-se dessa tarefa de modo tão eficiente que seus companheiros, brincando, afirmavam que ele criara o “PCF”: Partido Comunista das Finanças. A divulgação, em 1956, do relatório secreto de Nikita Khruschev ao XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, denunciando os crimes cometidos por Josef Stalin e dando início ao processo de desestalinização, deflagrou uma intensa luta interna nos partidos comunistas de todo o mundo, opondo partidários e opositores da renovação de sua política. Em suas memórias, Agildo descreve o impacto que esse relatório provocou em suas convicções, causando-lhe inclusive intenso mal-estar físico. Abertos os debates no interior do PCB – veiculados principalmente pelos redatores da Voz Operária e da Tribuna Popular – Agildo escreveu um artigo, intitulado “Pela democratização do partido”, no qual propunha a realização de eleições para todas as instâncias da direção partidária, inclusive o comitê central. A direção nacional do PCB proibiu sua divulgação na imprensa interna, destacando um de seus integrantes, João Amazonas, para elaborar uma réplica à proposta de Agildo. Na luta que se travou então no interior do partido, uma das correntes litigantes organizou-se em torno da posição de Agildo Barata. No decorrer dos debates, porém, este convenceu-se de que era impossível levar adiante um questionamento profundo da prática política do PCB e de que a direção do partido era incapaz de autocrítica. Por esses motivos, demitiu-se em dezembro de 1957 do comitê central e de sua condição de membro do PCB, sendo seguido por vários companheiros. Depois dessa decisão, passou a ser sistematicamente criticado pela imprensa partidária, que o considerava expulso e não demissionário das fileiras do PCB. Em 1962, a Editora Melso publicou seu livro de memórias, Vida de um revolucionário (2ª ed., 1979). Cinco anos mais tarde, já acometido pela enfermidade que o mantinha semiparalítico, voltou a perder sua patente militar por decisão do Supremo Tribunal Federal. Faleceu em 1968, no Rio de Janeiro. Renato Lemos

Fontes: barata, a. Vida; carneiro, g. História; carone, e. República nova; consult. Magalhães, b.; dulles, j. Anarquistas; d’araújo, m. Cronologia 1943; encic. Mirador; fontoura, j. Memórias; grande encic. Delta; levine, r. Vargas; min. Guerra. Almanaque (1934); néri, s.16; peralva, o. Retrato; porto, e. Insurreição; silva, h. 1935; silva, h. 1937; silva, h. 1945.

Silva, Hélio - 1935 A Revolta Vermelha, Edição Ilustrada - Civilização Brasileira
D'araujo, Maria Celina; Castro, Celso - Ernesto Geisel - Editora Fundação Getulio Vargas

domingo, 26 de julho de 2020

Capitão Tenente Atanagildo Barata Ribeiro

Capitão-Tenente Atanagildo Barata Ribeiro

Sesquicentenário de formatura em 04 de dezembro de 2016
Preso político na ditadura do Marechal Floriano Peixoto




Medalhas e Condecorações:

Hábito da Imperial Ordem da Rosa, no grau de Cavaleiro

Alto Valor e Constância da República da Argentina

Medalha da Campanha do Paraguai




Comandos:

Diretor das Construções Navais do Arsenal da Província de Mato Grosso

Diretor Interino das Construções Navais do Arsenal da Província de Pernambuco



Prisão:

“No dia 30 de janeiro de 1894, no momento em que saia de minha residência para os afazeres cotidianos, fui intimado por um valdevinos, dos muitos que desempenhavam então o papel de policias secretas desta Capital, a comparecer na Polícia, para explicações que de mim desejava receber o chefe dessa repartição. A Capital, como grande parte deste pais, estava nessa época em estado de sítio, sob pretexto da revolução levantada a 6 de setembro desse ano(1893) pela nossa marinha de guerra contra a série de atentados à Constituição da República praticados pelo pseudochefe do poder executivo o Marechal Peixoto. Segui portando o meu intimante, sem lhe pedir explicação alguma sobre tal intimação, acompanhado por um filho meu, de doze anos de idade, de nome João dos Santos Ribeiro, o qual achava-se na ocasião em minha companhia. Chagando à Polícia, quis mandar o menino para casa; impediram-me de assim proceder, alguns esbirros, ponderando-me que havia ordem de prisão contra ele também. A 17 de setembro de 1894, depois de passar e ver passar, durante sete e meio longos meses, por toda sorte de sofrimentos, fui finalmente posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal, ao qual havia requerido habeas-corpus dias antes. Foi então que tive ensejo para completar este trabalho”. Esta trabalho é o livro “SONHO NO CÁRCERE”, editado em 1895.



Hábito Da Imperial Ordem Da Rosa



Grau De Cavaleiro


O seu desenho foi idealizado por Jean-Baptiste Debret que, ter-se-ia inspirado nos motivos de rosas que ornavam o vestido de D. Amélia ao desembarcar no Rio de Janeiro. A ordem premiava militares e civis, nacionais e estrangeiros, que se distinguissem por sua fidelidade à pessoa do Imperador e por serviços prestados ao Estado, e comportava um número de graus superior às outras ordens brasileiras e portuguesas então existentes.

O Oficial da Armada Imperial e Engenheiro Construtor Naval, Atanagildo Barata Ribeiro, cita em seu livro “Sonho no Cárcere, escrito na prisão em 1894, e editado em 1895 pela Casa - Mont’ Alverne, o seguinte louvor ao Monarca D. Pedro II, o maior estadista que o Brasil já teve”.

“As revoluções... são sempre o procduto genuíno dos mais nobres sentimentos, brado legítimo de protesto contra as mais nefastas tyrannias...Foram dellas que nasceram as sábias reformas procdutoras dos progressos humanos... e as Constituições, que robusteceram os organismos populares...foi por sua vez dellas que se originaram todas as tyirannias e foi também de seu seio que foram atirados à face das Nações os monstros executores de attentados e crimes que tem enlameado certas épocas da história da humanidade!...nasceram as inquisições e anarchismos, que tem depauperado os organismos populares...

O Brazil nunca passou nem está passando por uma revolução popular; mas tão somente por uma fermentação do gênero destas, e conseqüentemente das mais nocivas ao seu desenvolvimento material e moral!..Se este povo, portanto, manteve-se com certa decência affectando virtudes que não possuía ou comprehendia foi devido à superioridade de espírito do Monarca, que pelo facto casual, mas para elle desastrado, de ter n’este, deserto da América do sul, teve a loucura de dedicar-lhe uma existência inteira de affectos, trabalhando para o seu progresso e felicidade, ensinando-lhe o caminho da honra pelo exemplo da mais ilibada probidade e pelo exercício das mais acrisoladas virtudes!

Esse estado de coisas, porem não podia durar muito. Os soffrimentos desse nobre ancião, obrigando-o a ausentar-se da Pátria por longos períodos de tempo, foi pouco a pouco entregando este povo aos seus próprios instinctos...à futura Imperante, que infelizmente ainda não detinha as energias necessárias a que tem o dever de assumir tão culminante posição social... Enfraquecido pela moléstia... o desrespeito a esse direito foi a porta aberta a todos os abusos, a todas as offensas à Lei e à Justiça...foi então que até os Ministros da Regência começaram a commetter actos que se não peccavam francamente deshonestos, causavam pelo menos esse geral reparo e indignação que soem attrahir sobre si as acções governamentaes a que deichou de presidir toda lisura.

Foi então que os Corpos Militares, que tinham a pretensão de representar a supremacia nacional e de serem seus únicos deffensores, começaram também a se impor aos governos... das mais absurdas exigências ao poder público... foi abdicando vergonhosamente de suas prerrogativas, com grande prejuízo para sua força moral...Há muito finalmente que o abuso de uma mal definida liberdade, habituando o povo...impellira-o insensível e fatalmente ao estado de anarchia, para repressão da qual torna-se quase sempre indispensável aos governos adoptar o funesto e selvagem regimem do despotismo!

Foi n’esse estado geral de exarcebação de espíritos, que foi chamado para tomar conta das rédeas do governo um dos nossos mais illustrados estadistas, o Exmo. Sr. Visconde de Ouro Preto. Para tanto sobravam-lhe certamente o prestigio que lhe davam seus ennumeráveis serviços públicos e a robustez de sua intellectualidade e conhecimento, os quaes o haviam imposto à Coroa para tão culminante posição social; e sobravam-lhe ainda a energia que emana da consciência de uma vida dedicada ao exercício de todas as virtudes cívicas; mas faltavam-lhe por sua vez o machiavelismo e a calma, indispensáveis para o estabelecimento da única força que poderia então abafar os desmandos da época - a temporização.-

Ouro Preto não era, portanto, o estadista talhado para aquelle período de effevercência moral.

Abafar o problema social que se ia avolumando, por uma solução ao prompta ao problema financeiro que o havia despertado, devia ser e foi incontestavelmente o primeiro cuidado d’esse notável estadista.

Era, porem, tarde demais.

O pequeno núcleo de republicanos que existia, não podia deixar passar o momento feliz da fermentação que se elaborava no seio do povo, e que procurava robustecer insuflando contra os governos as iras das guarnições militares d’esta Capital. Entre elles, alguns desejavam, é certo, a república pela república, mas queriam-na feita pelo povo, e quando pela marcha natural dos acontecimentos terminasse o segundo reinado: são os ainda perfeitamente reconhecíveis pelos paletós surrados com que os veio encontrar este- novo estado de coisas- a que outros que almejavam-na pelo amor ao poder e aos cofres da nação denominaram impropriamente de “República”- esses illustres desconhecidos de todos os tempos e de todos os partidos, e actualmente os homens notáveis, os influentes políticos, os capitalistas da época, esses enfim, que a queriam a todo transe, mesmo quando, levantada como foi, sobre a lápide ensangüentada do brasileiro que mais amor e sacrifícios dispensou a este país, - o Sr. D. Pedro de Alcântara...O movimento de 15 de novembro de 1889, portanto, que só fora combinado para derribar um ministério que havia incorrido no desagrado da força armada, não podia parar n’isso, e por isso que não satisfazia as ambições dos pregadores d’esses direitos e liberdades populares!

Era mister banir na Nação, aquelle que sem se ter jamais intitulado- guarda do thesouro- não permittia contudo que o assaltassem, pela força que resultava de sua ilibada conduta e de suas virtudes cívicas...Estava triunphante a almejada república dos... novos guardas do thesouro, dos restauradores, enfim, da fortuna pública!

Deodoro era o seu presidente, dirigia-lhe os Negócios do Interior o immortal Aristides Lobo; Bocayuva e Glycério retalhavam o corpo d’este excelso gigante e outros finalmente sugavam-lhe o sangue!...Desde a queda da dictadura Deodoro, que se converteu o governo em verdadeira Calamidade Nacional, merecendo portanto, não só a execração pública, mas a todo o mundo civilizado!

O regimem do despotismo iniciado pela usurpação do cargo de Presidente da República, e aliás sanccionado por uma câmara de inconscientes, continuou sua marcha triumphal pelos Estados, com exclusão do Estado do Pará, derrubando a ferro e fogo, Governadores, Constituições e Corpos Legislativos e Judiciários e accentuou-se mais desfaçadamente reformando, ao primeiro brado de indignação, os treze Officiaes Generaes do Exército e Marinha, authores d’elle, e deportando-os mais tarde, conjunctamente com alguns representantes da Nação (10 de abril), sob pretexto de uma revolução que “coube toda n’um bond”, como tão bem a definiu o Senador Dr. Ruy Barbosa.

Pouco depois explodiu a heróica Revolução do Rio Grande do Sul, e por último a da Esquadra em 6 de setembro de 1893, que determinou o contínuo estado de sítio, durante o qual se desenvolveu a série de attentados de que o público só teve uma noção vaga, por terem sido as folhas que criticavam o Governo, ou suspensas, ou reduzidas a publicarem somente o que lhes permittisse a Polícia; e só ficarem campeando as únicas mantidas pelo erário público para endeosarem os crimes do Governo! ”





Exemplo De Uma Ditadura
Assassinato, Prisão Política
E Nomeação Espúria




Marechal de Campo Manuel de Almeida da Gama Lobo d'Eça

Barão com Grandeza de Batovy



Nasceu no Desterro em 15 de abril de 1828 e faleceu no Desterro em 24 de abril de 1894 assassinado por fuzilamento a mando do Marechal Ditador Floriano Vieira Peixoto.

Foi um Militar que participou com distinção e na Guerra da Tríplice Aliança. Em 1891, já na República, foi graduado no posto de Marechal de da Guerra do Paraguai, além de ter sido presidente da província de Mato Grosso entre 7 de maio de 1883 a 13 de setembro de 1884, nomeado por carta imperial de 31 de janeiro de 1883. Nesta função foi sucedido pelo Marechal Floriano Peixoto. Lutou nas guerras do sul, na Campanha contra Rosas, na luta contra Aguirre Campo e voltou para a sua terra natal. Envolveu-se na Revolução Federalista e, por conta disso, foi preso e sumariamente fuzilado a mando do então presidente e antigo amigo Floriano Peixoto, na Fortaleza de Anhatomirim. Casou-se com Ana Pereira da Gama. Tiveram um filho que se chamou Alfredo de Almeida da Gama Lobo d’Eça que nasceu em 1860 e faleceu em 24 de abril de 1894 junto com o pai, ou seja, também assassinado por fuzilamento a mando do Marechal Ditador Floriano Vieira Peixoto.

Títulos nobiliárquicos e honrarias

Foi comendador da Imperial Ordem da Rosa e da Imperial Ordem de São Bento de Avis, além de oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro. Barão de Batovy com honras de Grandeza: título conferido por decreto imperial em 28 de agosto de 1889. Faz referência ao antigo povoado gaúcho de São Gabriel do Batovi, mais especificamente de uma coxilha ou cerro chamado Batovi, devido aos seus préstimos militares na região.


Capitão-Tenente
Atanagildo Barata Ribeiro



Guarda-marinha em 04 de dezembro de 1866

Sesquicentenário de formatura em 04 de dezembro de 2016

Preso político na ditadura do Marechal Floriano Peixoto





Cronologia de vida do Capitão-tenente Atanagildo Barata Ribeiro

Carreira:

Aspirante a Guarda-marinha em 27 de fevereiro de 1864

Guarda-marinha em 04 de dezembro de 1866

Segundo-tenente em 05 de março de 1868

Primeiro-tenente em 05 de janeiro de 1872

Reforma em 28 de fevereiro de 1881

Capitão-tenente em 04 de abril de 1898



Comissões:

Vapor Transporte Princesa de Joinville

Encouraçado Tamandaré

Encouraçado Herval

Canhoneira Vital de Negreiros

Corveta Nicterói

Corveta Vital de Oliveira

Vapor Magé

Vapor Ipiranga

Transporte Marcílio Dias

Encouraçado Cabral

Flotilha do Amazonas



Comandos:

Diretor das Construções Navais do Arsenal da Província de Mato Grosso

Diretor Interino das Construções Navais do Arsenal da Província de Pernambuco



Medalhas e Condecorações:

Hábito da Imperial Ordem da Rosa, no grau de Cavaleiro

Alto Valor e Constância da República da Argentina

Medalha da Campanha do Paraguai



Prisão:

“No dia 30 de janeiro de 1894, no momento em que saia de minha residência para os afazeres cotidianos, fui intimado por um valdevinos, dos muitos que desempenhavam então o papel de policias secretas desta Capital, a comparecer na Polícia, para explicações que de mim desejava receber o chefe dessa repartição. A Capital, como grande parte deste pais, estava nessa época em estado de sítio, sob pretexto da revolução levantada a 6 de setembro desse ano(1893) pela nossa marinha de guerra contra a série de atentados à Constituição da República praticados pelo pseudochefe do poder executivo o Marechal Peixoto. Segui portando o meu intimante, sem lhe pedir explicação alguma sobre tal intimação, acompanhado por um filho meu, de doze anos de idade, de nome João dos Santos Ribeiro, o qual achava-se na ocasião em minha companhia. Chagando à Polícia, quis mandar o menino para casa; impediram-me de assim proceder, alguns esbirros, ponderando-me que havia ordem de prisão contra ele também. A 17 de setembro de 1894, depois de passar e ver passar, durante sete e meio longos meses, por toda sorte de sofrimentos, fui finalmente posto em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal, ao qual havia requerido habeas-corpus dias antes. Foi então que tive ensejo para completar este trabalho”. Este trabalho é o livro “SONHO NO CÁRCERE”, editado em 1895.


Médico Cândido Barata Ribeiro

Ministro Do Supremo Tribunal Federal

Doutor em Ciências Médicas e Cirúrgicas em dezembro de 1867. Foi um grande paladino da abolição da escravatura e teve destacada atuação na implantação da República no qual ocupou o cargo de Presidente do Conselho Municipal, em 1891, e de Prefeito do Distrito Federal, em 1892.

Em decreto de 23 de outubro de 1893, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, preenchendo a vaga ocorrida com o falecimento do Barão de Sobral, tomando posse em 25 de novembro de 1893, mas submetida a nomeação ao Senado da República, este, em sessão secreta de 24 de setembro de 1894, negou a aprovação, com base em Parecer da Comissão de Justiça e Legislação, que considerou desatendido o requisito de “notável saber jurídico” (Diretriz Curricular Nacional de 27 de setembro de 1894, p. 1136). Em consequência, Barata Ribeiro deixou o exercício do cargo de Ministro em 29 de setembro de 1894. Após deixar o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal recebeu do amigo e Ditador Marechal Floriano Peixoto a Prefeitura do recém criado Distrito Federal, portanto, foi o primeiro Prefeito do Distrito Federal. Foi eleito Senador quando o voto não era secreto. Morreu como Senador. Era membro da Academia Nacional de Medicina e de várias associações científicas. Foi homenageado pela Prefeitura do antigo Distrito Federal, a qual deu a uma das principais ruas do bairro de Copacabana, o seu nome.



Enquanto o capitão-tenente Atanagildo Barata Ribeiro estava preso por não concordar com a ditadura do marechal Floriano Peixoto, seu irmão, médico, era nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal para dar acórdãos favoráveis ao ditador. Ditador tudo pode!

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Almanak Ipuense

Almanak Ipuense

1899



Tenente Pompeo Jacome

Tio avô



Tenente Dr. Jácome Pompeo, irmão mais velho de meu avô, Médico Dr. José Jácome de Oliveira. Foi homenageado pelo “Almanaque Ipuense” em 1899. Nasceu em 01 de maio de 1870 em Campo Maior, Piauí, indo morar com os pais em Santa Quitéria, onde começou os estudos. Como desejasse abraçar a carreira das armas, seu pai consentiu e em 1889 entrava como aluno na Escola Militar do Ceará, sendo promovido a Alferes em 1894 e a Primeiro Tenente em 1899. Era Bacharel em Ciências Físicas e Matemática. Em 24 de julho de 1899, quando tinha uma vida inteira pela frente, morre aos 29 anos num exercício de tiro. “O Almanaque Ipuense rende um culto de homenagem à memória do grande patriota, registra em suas páginas o nome ilustre do infeliz moço, dando sentidos pêsames ao seu digno pai, o Coronel André Jácome”. Ipú -1899.



Escola Militar Do Ceará

Hoje é o Colégio Militar de Fortaleza
Sumário Histórico do Colégio Militar de Fortaleza

 
 
Autor: JOSÉ DENIZARD MACEDO DE ALCÂNTARA, do Colégio Militar de Fortaleza, da Academia Cearense de Letras e do Instituto Histórico do Ceará.

O Prédio: Origem e Destino

Corria o ano de 1877, assinalado na história cearense pela maior seca registrada na memória das nossas populações. Governava o Ceará o Presidente da Província, o Desembargador Caetano Estelita Cavalcante Pessoa, designado para a função pelo gabinete conservador de 25 de ju­nho de 1875, presidido pelo Duque de Caxias. Em 22 de novembro daquele ano, o presti­gioso comerciante e político cearense Joaquim da Cunha Freire, Barão de Ibiapaba, procura o Presidente da Província e, no desejo de amparar a pobreza da Capital, cuja situação se agravara com a seca, faz a oferta ao governo provincial da quantia de dez contos de réis (10:000$000) e de um terreno localizado entre as Ruas do Sol (atual Costa Barros), da Leopoldina, da Soleda­de (atual Nogueira Acioly) e a Rua do Colégio das Órfãs (atual Santos Dumont), devendo ali o governo provincial construir um Asilo de Mendi­cidade. Terreno e dinheiro eram doados com a con­dição de que, enquanto o edifício não ficasse concluído, seria de exclusiva propriedade do doador e de seus herdeiros, no caso de sua morte. Logo, porém, que estivesse ultimada a constru­ção passaria ao patrimônio da Província do Cea­rá, nos termos da Escritura lavrada pelo Escri­vão Augusto Barbosa de Castro e Silva. As obras foram iniciadas quase imediata­mente, recebendo-se mais donativos e utilizan­do-se nas mesmas o trabalho dos flagelados da seca, não só na construção como no fabrico de telhas e tijolos. Desconhecem-se dados que positivem ter o Asilo de Mendicidade chegado a funcionar. Assim a Lei nº 2.152, de 10/08/1889, determinava a entrega da construção ao Sr. Bispo da Diocese do Ceará para servir de Asilo de Mendicidade. Pou­cos meses depois, já na República, o Decreto nº 04, de 24/02/1890, revogou a Lei citada e restituiu o prédio ao Patrimônio do Estado do Ceará, que não o utilizou até 1892, praticamente aban­donado. Em 17 de março daquele ano, o Vice-Pre­sidente do Estado, capitão Benjamin Barroso, telegrafava ao Presidente Floriano Peixoto, oferecendo-o para sede da Escola Militar, feitas as reformas e adaptações necessárias, aliás já projetadas e orçadas pelo Coronel Carlos Eduardo Saulnier de Pierrelevée, Diretor das Obras Militares, condicionando-se a oferta ao funcionamento ali da Escola Militar. Em 1897, com a extinção da Escola Militar, retorna o imóvel à posse do Estado do Ceará. Somente pela Lei nº 1.931, de 05/11/1921, o poder Legislativo Estadual transferiu em definitivo para o Ministério da Guerra o velho casarão do Outeiro, onde já vinha funcionando desde 1919 o Colégio Militar do Ceará. Em 1894, o edifício constava somente da ala fronteira à Praça da Bandeira, sendo o res­tante cercado por muros, sem nenhuma edificação interna. Mesmo esta frente não estava terminada: segundo documentação da época, apresentava 31 janelas do lado direito e 10 do esquerdo. A parte central da frente, com andar superior, é de 1910, completado o segundo andar na reforma iniciada em 1958. Numerosas modificações, obras novas e ampliações, foram feitas ao longo do tem­po pelos Estabelecimentos de Ensino que ali funcionaram, destacadamente pelo antigo Colégio Militar do Ceará, Escola Preparatória de Cadetes e o atual Colégio Militar de Fortaleza. Nesta histórica edificação, a partir de 1892, funcionaram quatro Estabelecimentos de En­sino do Exército: a Escola Militar do Ceará, o Colégio Militar do Ceará, a Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza, o Colégio Militar de Fortaleza; dois estabelecimentos civis de ensino: o Colégio Nossa Senhora de Lourdes e o Colégio Floriano. Nela aquartelaram a Policia Mili­tar do Ceará e o 9º Regimento de Artilharia Montada.


Raízes Históricas

As raízes históricas deste estabelecimento de ensino remontam ao fim do Brasil império, quando foi criada pelo Decreto 10177, em 1 de fevereiro de 1889, a Escola Militar Do Ceará tendo sido seu primeiro diretor João Nepomuceno de Medeiros Mallet. Em 1898 foi extinta e nos vinte anos que sucederam à extinção, funcionou no prédio o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, a força pública do Estado do Ceará e o 10º Regimento de Artilharia Montada da Polícia Militar.

Ao longo da existência da Escola Militar do Ceará (EMC), vários professores (lentes) e instrutores tiveram grande destaque. Entre eles estão: Adolfo Luna Freire; Antônio Augusto de Vasconcelos; Bezerril Fontenele; Joaquim Catunda; Franco Rabelo; Thomaz Pompeu; alguns dos antigos mestres da EMC foram fundadores da Academia Cearense de Letras (ACL).
No ano de 1919, foi criado o Colégio Militar do Ceará (CMC), iniciando o ano letivo em 1 de junho, data de inauguração e, como tal festivamente comemorada. Destacou-se, neste período, o General de Divisão, graduado e reformado, Eudoro Corrêa, que exerceu o comando por mais de treze anos – 1923 a 1936 - fato pelo qual o CMF é conhecido por seus integrantes como “Casa de Eudoro Corrêa”. O CMC foi extinto em 1938. Neste período de extinção, funcionou no prédio o Colégio Floriano.
Os professores do CMC tiveram grande destaque na sociedade local. Muitos viraram nome de ruas em Fortaleza: Martinz de Aguiar; Beni Carvalho; Engenheiros Alberto Sá e Santana Júnior; Guilherme Moreira da Rocha; Mozart Solon; Parsifal Barroso; Raimundo Cela, dentre outros.
Em 1942, retorna ao Estado do Ceará o ensino militar com a criação da Escola Preparatória De Fortaleza - EPF. A reestruturação do ensino militar do Exército levou à extinção, em 1961, da EPF e ao ressurgimento, em 17 de novembro do mesmo ano, do Colégio Militar de Fortaleza - CMF.
Em 1989, ampliando a sua ação, o CMF passou a receber alunas.

Estrutura

A parte central da fachada principal começou a ser construída em 2 de dezembro de 1877, sendo a data de lançamento da pedra fundamental uma homenagem ao imperador D. Pedro II. Inicialmente, o edifício teve como finalidade abrigar retirantes da seca que chegavam a Fortaleza. Somente em 1892, passou a sediar a Escola Militar do Ceará que funcionara, até então, onde hoje é a 10ª Região Militar. Na virada do século XIX para o século XX, o prédio era conhecido na cidade como “O Casarão do Outeiro”, devido a ser uma referência no bairro (do Outeiro). Com a fachada áurea, reformada em função daquela existente na década de 1930, o Colégio Militar de Fortaleza alia o passado histórico e a modernidade. Suas salas de aula são grandes e projetadas para alta performance acústica, com dobras no teto no intuito de maximizar a fala do palestrante.   

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Mulheres Na Política

Dra. Kátia Miki é Fundadora e Diretora do Instituto Cultural Barão de Ayuruoca


Para fortalecer a democracia no Brasil, é necessário debater de forma urgente a representatividade feminina na política. Apesar de sermos 52% do eleitorado, ocupamos apenas 15% das cadeiras no congresso, sendo ainda comum se noticiar “a primeira mulher” a ocupar cargos importantes.


A baixa representatividade evidência uma democracia manca e cria barreiras para o avanço de pautas importantes para o direito das mulheres.

Os direitos de a mulher poder estudar, votar, escolher a própria profissão e se divorciar eram sonhos distantes, há um tempo não tão distante assim. Se hoje os mesmos se tornaram parte integrante da sociedade e do nosso dia a dia, isso só foi possível graças à luta organizada de muitas mulheres ao longo dos anos.

Atualmente conquistamos a garantira de obter no mínimo 30% de candidaturas femininas em conjunto com o mínimo de 30% de recurso do fundo eleitoral. No entanto, perceber que 30% se transforma em apenas 10% de mulheres eleitas, demonstra que existem muitos gargalos de elegibilidade que devem ser debatidos, principalmente em ano de eleições municipais, como é o ano de 2020.

Dessa forma, o Centro Acadêmico Dom Waldyr Calheiros, a Federação Nacional dos Estudantes de Direito, a Diretoria de Mulheres OAB/RJ e as Comissões OAB Mulher de Barra do Piraí, Barra Mansa, Mendes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Resende, Valença, Vassouras e Volta Redonda, convidam vocês a participar do debate “Elas na Política”, afinal democracia é uma palavra feminina.


Palestrantes:


Dra. Marisa Gáudio = Diretora OAB Mulher do Rio de Janeiro.
Dra. Rosânia Figueira = Diretora OAB Mulher da Região Centro Sul Fluminense.
Dra. Monique Kozlowski = Juíza Federal.
Dra. Carolina Patitucci = Presidente da Comissão OAB Mulher de Volta Redonda.
Dra. Katia Miki = Presidente da Comissão OAB Mulher de Barra do Piraí.


Presença confirmada de todas as vereadoras da região.


Dia e horário:

14 de fevereiro de 2020
18h - 22h


Local e endereço:

Universidade Federal Fluminense - UFF, Campus do Aterrado - Volta Redonda | Auditório Bloco B - Rua Desembargador Ellis Hermydio Figueira, 783, Aterrado, Volta Redonda.




    


   


   


   



Dra. Kátia Miki


sábado, 28 de dezembro de 2019

Nossa História Na Educação


Colégio Sylvio Leite


Fundado em 1904



Professor Sylvio Leite
Avô de José Silvio Leite Jacome


Aos 50 anos 
1930
Bisneto do Coronel Custódio Ferreira Leite
Barão de Ayuruoca



Professor Sylvio Leite e alunos



Professor Sylvio Leite e alunos
À sua direita sua filha Sylvia Leite









Professor Sylvio Leite e alunos




Professor Sylvio Leite e alunos






                                                        Professor Sylvio Leite e alunos



Desfile do Colégio Sylvio Leite na Semana da Pátria em 4 de setembro de 1940

 

Colégio Sylvio Leite - Petrópolis - RJ


                                                     Colégio Sylvio Leite - Petrópolis - RJ


Colégio Sylvio Leite - Méier - RJ



Colégio Sylvio Leite - Tijuca - RJ



Colégio Sylvio Leite - Tijuca - RJ

Esquina das Ruas Mariz e Barros com Barão de Ibituruna



Colégio Sylvio Leite - Méier - RJ






                                                       Colégio Sylvio Leite - Méier - RJ


                                                      Colégio Sylvio Leite - Méier - RJ


                                                      Colégio Sylvio Leite - Méier - RJ


                                                 
                                                       Colégio Sylvio Leite - Méier - RJ









                                                                                                                                                                                 


Homenagem do Professor Plínio Ribeiro Baptista Leite ao seu pai, Professor Sylvio Antunes Baptista Leite, em mensagem a seus irmãos.

Transcrito do original em poder do Instituto

Morreu Sylvio Leite
25 de novembro de 1968 foi um dia de luto para a família plinioleitense com o sentido desaparecimento d’aquele que me precedera na gloriosa e valiosa missão de instruir a nossa mocidade.
Sylvio Leite, filho de fazendeiro de Sapucaia, que também se desdobrava em professor primário autodidata, foi a mais digna representação do que seja um grande professor e um orador dos mais fluentes e entusiastas.
Em toda sua longa vida de 88 anos, 5 meses e 20 dias, Sylvio Leite só fez ensinar, e, como ensinava! Ainda me lembro e comigo todos que tiveram a ventura de ser seus alunos, o que eram suas aulas de Francês, língua em que foi um dos maiores cultores em nosso país. Como cultuava Corneille, Racine, Moliére e Victor Hugo! Suas aulas de geografia, de história, de português e de latim em nada deviam às de francês. Falava corretamente, além do português e francês, o espanhol, o alemão e o inglês. Enfim era um professor completo e de rara competência.
Dentro de uma sala de aula, era um astro de primeira grandeza que a todos os seus alunos empolgava.
Disciplinador rigoroso sempre pregou e fez existir em seu Colégio o princípio da autoridade! Quando ele chegava, com seus passos rápidos e enérgicos, houvesse o que houvesse, tudo se transformava e o ambiente mais anarquizado ou indisciplinado se convertia em ordem, respeito e amizade, pois ao lado de seu rigor e intransigente autoridade havia um grande coração! Em seu Colégio nunca houve quem fosse afastado por falta de recursos, chegando, muitas vezes, a ser vítima da exploração contra a qual tinham de lutar seus colaboradores e pessoas da família.
No tempo em que um Colégio valia pelo seu Diretor apenas como um grande professor, ele brilhou sempre como estrela de 1ª grandeza e seus alunos, nos exames oficiais, concursos ou outras provas, obtinham sem exceção os melhores resultados. Com o evoluir da educação nacional, tiveram os Colégios de se organizar para fazer face às novas exigências da vida e Sylvio Leite começou a reagir: ele só conhecia uma tesouraria representada pelo seu bolso guardando o que lhe pagavam e uma memória privilegiada tudo contabilizando, aliada a uma secretaria representada pelo valor intelectual dos alunos que ele preparava através de seu trabalho pessoal e de uns poucos professores por ele muito bem selecionados.
Fora, até então, sem favor algum, a maior das maiores estrelas do firmamento educacional brasileiro, mas, a partir de 1932, se foi desiludindo e aos poucos de tudo se foi afastando, até que, em 1948, desaparecia o último reduto de suas atividades: o Colégio Sylvio Leite, da “BOCA DO MATO” que ele construíra com todo carinho e que resolveu acabar, vendendo o imóvel ao SESC, em 1946.
Em 1904, no então Palacete Lisbonense, na esquina da Av. Rio Branco com Rodrigo Silva, começou Sylvio Leite seu primeiro curso organizado representado por uma grande sala onde, na parte dos fundos residia e na parte da frente separadas por um tabique de madeira colocaria as primeiras carteiras de sua propriedade. Foi nessa sala que nasci a 22 de abril de 1904, já sob o fulgor e o brilho de sua grande inteligência, recebendo assim a enorme responsabilidade de procurar seguir sua obra o que tenho tentado realizar se bem que em proporções modestas.
Em 1908, associado a Antonio Pereira Caldas, alugava o sobrado da Rua do Rosário nº 140, onde instalaram o “Externato Minerva”. Começava ele aí a possuir uma organização educacional e trabalhar em equipe.
Em janeiro de 1914, convencido de que o “Externato Minerva” não mais comportava a realização de seus ideais foi para a Rua Mariz e Barros onde alugou o prédio de nº 258, aí instalando o “Colégio Sylvio Leite”, instituição que foi das mais prestigiosas e famosas de seu tempo – d’ali saindo grandes figuras que ainda hoje pontificam em todos os setores de atividades do País.
Em poucos anos o Colégio se expandia, primeiro incorporando o prédio da esquina da Rua Barão de Ibituruna, onde um tradicional pé de fruta pão era o encanto da garotada do meu tempo com o nosso foot-ball de salão da época. Como era dura a bola e que resistência tinham nossas canelas! E o professor Cameira a cada momento nos alertava da vinda de Sylvio Leite – dizendo: é proibido jogar foot-ball com os pés. Papai sempre fora contra o foot-ball e só por 2 vezes foi ao América Football Club: em 1914 e em 1952, todas duas por minha causa.
Foi nessa esquina de Mariz e Barros com Barão de Ibituruna que se construiu a 2ª quadra de basketball da América Latina sob a orientação de Mr. William Kouri, pois a 1ª foi a da Associação Cristã de Moços, criação de Mr. Sims logo seguida do América Football Club com a quadra improvisada no gramado de foot-ball, sob a orientação de Alfredo Kholer.
Dessas 3 instituições: Associação Cristã de Moços, Colégio Sylvio Leite e América Football Club, partiu o basketball brasileiro para os dias gloriosos de hoje.
Pouco a pouco o Colégio cresceu e foi incorporando todos os prédios vizinhos até chegar próximo ao Asilo Isabel.
Durante a 1ª grande guerra, Sylvio Leite se meteu a industrial da malacacheta em Espera Feliz (Minas Gerais) e tudo que ganhou enterrou no Colégio comprando os prédios que ocupava e o famoso terreno da Rua Campos Salles por nós chamado da Estância, por que lá existia uma estância de lenha. Era o paraíso dos amantes das peladas clandestinas em horas de aulas e aí nos deliciávamos com as primeiras transmissões telefônicas e telegráficas, sempre interrompidas pelo aparecimento imprevisto de papai.
Em 1927, querendo servir à Petrópolis e a um velho amigo, fundou em fevereiro, o Colégio Sylvio Leite de Petrópolis, no prédio onde funcionara o Atheneu Brasileiro de propriedade de Frederico Ribeiro. Em março de 1929, vítima de grande prejuízo que lhe dera o amigo que o representava, resolveu fechar o Colégio de Petrópolis do que resultou ser aberto no mesmo local, em 15 de abril de 1929, o Colégio Plínio Leite que, em fevereiro de 1945, passou a ser o atual Colégio Carlos A. Werneck.
Em 1942 resolveu extinguir o Colégio Sylvio Leite da Rua Mariz e Barros, vendendo inclusive os imóveis.
Com a extinção, em 1948, do Colégio da Boca do Mato, recolheu-se Sylvio Leite à vida privada, afirmando sempre que viveria 150 anos e se lamentando de ter acabado com seus Colégios.
Da casa da Rua Aquidabã, que adquirira em 1910, só saiu para morrer, pois já d’ali foi removido, em pré-coma, no dia 23 de novembro de 1968, falecendo no dia 25 de novembro de 1968, às 18:0 horas.
Descido seu corpo à última morada, na tarde de 26 de novembro de 1968, sob o olhar triste e as faces banhadas de lágrimas de seus filhos, parentes e de muitos ex-alunos ali presentes, fechava-se o ciclo de vida terrena de um mestre que sempre encheu de orgulho aos seus discípulos de poderem ostentar o título de ex-alunos de Sylvio Leite e que foi uma das maiores culturas de nosso tempo e um dos maiores mestres do Brasil!
Hoje, justamente no 30º dia de sua morte, registro nessas rápidas e sinceras palavras toda minha dor, como filho e como professor, pelo desaparecimento aliado ao meu orgulho de ter sido seu discípulo e, como filho e modesto professor, a esperança de poder continuar sua obra transmitindo a meus filhos e netos a missão que dele um dia recebi por obra e graça de Deus!

Niterói, 25 de dezembro de 1968

Plínio Leite








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